domingo, 4 de julho de 2010

Divulgando debate

"Ciclo de Debates sobre Educação e Movimentos Sociais"

7 a 10 de julho de 2010

Promoção:

Escola Milton Santos - Movimentos Sociais do Campo

Núcleo de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável – NADS/UEM

Projeto de ensino: "Políticas e Gestão no Brasil: Educação no e do Campo" – Departamento de Teoria e Prática da Educação/UEM


Programação:

Dia 07/07, 19:30 h

Conferência:

"Universidade e Movimentos Sociais: desafios do momento histórico"

Ademar Bogo - Coordenação Nacional do MST. Filósofo, poeta e escritor.

Local: Auditório do bloco I12, UEM

Inscrições no local


Dia 09/07, 19:30 h

Conferência:

"O Brasil no contexto mundial: desafios e perspectivas para o século XXI"

João Pedro Stédile - Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina Brasil. Economista.

Local: Auditório do PDE, UEM

Inscrições no local


Dia 10/07, 8:00 h

Conferência:

"Sobre a Educação e a Reforma Agrária"

João Pedro Stédile - Coordenação Nacional do MSTe da Via Campesina Brasil. Economista.

Luiz Carlos de Freitas - UNICAMP - Pós-doutor em Educação

Local: Escola Milton Santos (estrada velha para Paiçandu)

Obs.:A atividade faz parte do ato de inauguração da Escola Milton Santos

Maiores informações pelo e.mail: pachamamacampesina@gmail.com

Copa do Mundo: promessas, jornalismo e animalidade

Ah, a Copa do Mundo...

Época de um despertar dos sentimentos patrióticos por todo o mundo. De diversas maneiras, diferentes pessoas tratam de demonstrar seu carinho pelo país natal, carinho este que havia sido reservado de suas atitudes cotidianas durante quatro longos anos (dois anos, caso lhes apeteçam curtir os Jogos Olímpicos entre a realização de uma Copa e outra).

Uma dessas manifestações de fugaz espírito pátrio, merecedora de destaque por este singelo blog, é, sem dúvida, o de Larissa Riquelme. Esta jovem paraguaia se tornou manchete por todo mundo ao fazer a promoção de uma marca de aparelho celular de modo bastante peculiar. Chamando os holofotes da imprensa mundial para tal ação propagandística, e com o avanço do selecionado paraguaio à fase de quartas-de-final do mundial, ela não se conteve: tratou de acalentar o sonho de uma massa incontável de marmanjos ao prometer sair nua pelas ruas de Asunción caso o Paraguai passasse de fase.

Devo confessar que até eu, pessoa controlada que sou, mandei meu superego pro espaço e deixei o id tomar conta da minha psique. Na sexta-feira passada, dia do jogo do Paraguai contra a Espanha, vesti as cores alvirrubras só pra poder ter a oportunidade de ver aquele monumento de mulher correndo livre pelas ruas à pelo puro, desfilando gostosura pela capital paraguaia.

Peço desculpas as pessoas leituras deste blog, em especial às mulheres, por tal demonstração de machismo. Confesso que as imagens de Larissa mexeram comigo, fazendo aflorar parte da minha animalidade. É que o mestrado anda me deixando carente além da conta...

Mas parece que não foi só minha animalidade que veio à tona com o libidinoso fenômeno paraguaio. O pessoal da imprensa brasileira também sentiu o baque, em especial os profissionais da Sportv, canal pago vinculado à Globo. Entretanto, o caso deles é de um outro tipo de animalidade.

Aproveitando a deixa dada pelo caso de Larissa, a Sportv tratou de fazer um vídeo engraçadinho sobre o Paraguai, ironizando a participação da seleção na Copa bem como do que eles pensam sobre relevância do país para o mundo. O vídeo, para quem se recuperou do surto de bestialidade causado pela beldade paraguaia e tratou logo de botar a cabeça no lugar, pode ser facilmente classificado como asqueroso!

Eu lembro que antigamente, os programas jornalísticos das Organizações Globo, incluindo seu até então “apêndice” esportivo, primavam por exalar um certo ar de sisudez. Por mais que isso não deixasse de refletir os preconceitos próprios de seu editorial, ao menos servia para passar a sensação de seriedade aos seus telespectadores, contribuindo assim para estabelecer a falsa idéia de imparcialidade jornalística e estabelecer sua predominância na chamada “opinião pública” do país. Porém, com o recente advento daquilo que chamamos de “jornalismo moleque” – cujo exemplo bem acabado pode ser visto no programa CQC, e que adentra a Globo através do jornalismo esportivo, especialmente através da figura do apresentador Tiago Leifert – o modelo tradicional começa a ser substituído, muito embora não deixe de ser, ainda, predominante.

O caráter escrachado do “jornalismo moleque” combina muito bem com os tempos vividos atualmente, marcados por modos de vida concebidos por relações e representações cada vez mais imediatistas, em que a vida cotidiana transpassa sem nenhuma perspectiva crítica – algo expresso brevemente por este blog na postagem anterior. Esta forma jornalística ignora uma perspectiva historicista dos fatos e afirma sempre o senso-comum. Eis porque é comum o uso de piadas rápidas (comum no CQC) e o reinvenção constante de preconceitos (comum em Leifert). O que vale é afirmar o que está na boca de seus telespectadores, e não questionar. Se se questiona algum fato da realidade, isso se faz de maneira apriorística, como se a resposta já estivesse dada (pelo público), e não da maneira adequada, destrinchando o fato em questão e relativizando sua opinião com outras possíveis opiniões envolvidas no caso.

Mas é preciso ressaltar que, por mais que essa forma jornalística seja expressão de um imediatismo predominante atualmente nas relações entre as pessoas, e que essa condição lhes atravanca o processo de consciência do mundo, isso não significa que os programas que possuam essa característica abram mão de certas mediações para suas constituição. Estes programas são, enquanto fenômenos sociais, respostas encontradas por pessoas determinadas em determinados contextos históricos para a satisfação de determinadas necessidades. Isso exige uma compreensão razoável da situação que se vive, algo que demanda o entendimento de certas mediações. Especificamente, no caso avaliado agora, a necessidade de fazer vingar programas jornalísticos de grande audiência, potencialmente grandes fontes de renda publicitária, exige dos responsáveis pelo jornalismo – pessoas alinhadas com uma visão de mundo conservadora – mudanças nos padrões de apresentação de suas atrações, mudanças que sejam palatáveis ao nível cultural de sua audiência.

Estimular as vontades imediatas é um trabalho que exige um certo conhecimento sobre como funciona o comportamento humano, de maneira individual ou massiva. O problema é que o próprio reforço do imediatismo tende a levar os jornalistas a não pensarem de maneira reflexiva sobre os procedimentos de exposição da notícia. É deste caso que o vídeo da Sportv parece ser expressão. Na tentativa de fazer algo engraçado, de fazer valer a animalidade (imediaticidade) de seus telespectadores, os responsáveis pelo vídeo deixaram fluir a sua animalidade (imediaticidade): o resultado foi a expressão de um preconceito sobre os paraguaios em geral baseado num sentimento chauvinista bem comum nestes tempos de Copa do Mundo (e que parece tornar-se mais presente no cotidiano graças às constantes crises do capital e à incapacidade de uma resposta adequada ao problema).

Trata-se aqui de um dos aspectos da reprodução das condições culturais, que assume atualmente um caráter completamente destrutivo, já que enfraquece substancialmente os fatores necessários para sua reversão. Uma das facetas do fenômeno que Georg Lukács denominou como “decadência ideológica”.

Combater isso é uma obrigação, mas de que jeito? Como driblar esse emaranhado complexo de relações concretas, marcadas por inúmeras perspectivas ideológicas? A tática é realmente um problema, tanto para revolucionários quanto para técnicos de futebol.